PCSVDFMulher – Violência doméstica contra a mulher e o impacto no trabalho (UFC/IMP, 2017)

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Sobre violência doméstica e trabalho

– 12,5% das mulheres nas capitais nordestinas que estavam empregadas no momento da pesquisa sofreram algum tipo de violência doméstica nos últimos 12 meses.

– As mulheres que declaram sofrer violência faltaram ao trabalho 18 dias, em média, nos últimos 12 meses: 47% perderam de 1 a 3 dias; 22% de 4 a 7 dias; 20% de 8 a 29 dias; e 12% perderam 30 dias ou mais de trabalho.

– Considerando o valor do salário-hora em R$8,16 (valores nominais de 2016) e  uma jornada de 8 horas de trabalho/dia, a pesquisa estima que aproximadamente R$64,4 milhões da massa salarial são perdidos como resultado do absenteísmo causado pela violência doméstica contra as mulheres nas capitais nordestinas.

– Enquanto a duração média do emprego para as mulheres que não sofrem violência é de 74,82 meses, a duração média no emprego para as que sofrem violência é de 58,59 meses, uma redução de 22%.

– Os menores salários encontram-se no grupo de mulheres negras que são vítimas de violência, enquanto os maiores salários estão no grupo das mulheres brancas que não sofrem violência. É digno de nota que as mulheres brancas que sofrem violência doméstica ainda assim recebem um salário maior que as mulheres negras não vitimadas por esse tipo de violência.

Sobre a pesquisa

Realizada pelo Programa de Pós-Graduação em Economia (CAEN) da Universidade Federal do Ceará em parceria com o Instituto Maria da Penha (IMP), a Pesquisa de Condições Socioeconômicas e Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher (PCSVDFMulher) apresenta um panorama da violência de gênero no Nordeste brasileiro. A PCSVDFMulher conta também com a parceria do Institute for Advanced Study in Toulouse e teve apoio financeiro da Secretaria de Políticas para as Mulheres, da Presidência da República.

A  PCSVDFMulher está sendo divulgada em ondas, sendo que este é o Relatório Executivo II – Primeira Onda (2016) – Violência Doméstica e seu Impacto no Mercado de Trabalho e na Produtividade das Mulheres.

Metodologia – A PCSVDFMulher entrevistou 10 mil mulheres nas nove capitais nordestinas, entre março e julho de 2016. As entrevistas foram realizadas por cerca de 250 mulheres, previamente capacitadas com aulas sobre questões de gênero, étnico-raciais e ética. Representativa das mulheres com idades entre 16 e 49 anos, a pesquisa tem como unidade amostral a mulher residente no domicílio selecionado para a pesquisa. Cada família é entrevistada em duas rodadas, em um processo em que será observado como se apresentam as atitudes de violência contra a mulher nesses grupos familiares.

Saiba mais:
Mulheres de Fortaleza têm perda salarial de 34% devido à violência doméstica (UFC, 24/08/2017)

Veja alguns dos principais pontos da pesquisa (UFC, 24/08/2017)

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