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Confira a definição de alguns conceitos transcritos por Michele Escoura, mestre em antropologia social e doutoranda no programa de Ciências Sociais da Universidade de Campinas (Unicamp).

Leia também: Marcadores Sociais, por Márcio Zamboni

 

Bissexual

É a pessoa que se sente atraída afetiva e sexualmente por pessoas do sexo oposto ou do mesmo sexo.

Cisgênero

Pessoa que atende a expectativa social de coerência da matriz de gênero. Ou seja, uma mulher feminina heterossexual ou um homem masculino heterossexual.

Cultura

Podemos entender a Cultura como um sistema operacional que dá sentido para a existência humana. Quando pensamos em manifestações artísticas, religiosas ou linguísticas, por exemplo, falamos em manifestações ou materializações culturais, mas não em cultura propriamente dita. Para além de suas manifestações particulares, a cultura é o conjunto de códigos, símbolos e estruturas que dão forma à existência de um grupo: orienta sua visão de mundo, seu comportamento, suas regras, sua língua, suas roupas, suas relações de parentesco, de organização econômica ou de poder, bem como sua cosmologia, como se veem como pessoas, como percebem o espaço ao seu redor e como interpretam as relações com o tempo. Mas a cultura também não é algo fechado e estático: sempre aberta e dinâmica, a cultura está exposta à possibilidade de transformar-se a partir das interferências de pessoas, grupos e instituições que ao longo do tempo modificam seus contornos. Assim, ao mesmo tempo em que as pessoas ou os grupos podem dar sentido ao mundo e a si mesmos quando apreendem sua cultura, eles podem interagir e redefinir esses sentidos, criando novos significados para sua cultura.
Se, por um lado, podemos universalizar a ideia de que a cultura é comum a toda humanidade, por outro lado, é um dado universal também que a cultura é sempre diversa, ou seja, que sua forma e suas manifestações variam conforme diversificam os contextos históricos e espaciais. Isso quer dizer que a variação de tempos e espaços nos abre a possibilidade de identificarmos uma imensa variedade de culturas, ou seja, de percebermos a diversidade de construções sobre o significado da existência humana no mundo.

Desejo afetivo e sexual

É como a pessoa classifica por quem se sente mais atraída afetiva e sexualmente: se é alguém de seu mesmo sexo, de sexo diferente ou dos dois.

Desigualdade

Quando uma diferença é transformada em fonte para uma posição de poder. Ou seja, quando uma diferença vira base para julgamentos que classificam um lado como melhor que outro, seja essa diferença de ordem física, moral, regional, religiosa, geracional, sexual, linguística, identitária ou econômica.

Estereótipo

Chamamos de “estereótipo” tudo aquilo que é criado como expectativa sobre uma pessoa tomando como pressuposto alguma característica sua. Isto é, a imagem preconcebida que temos dela a partir de alguma característica sua, como se todas as pessoas com aquela mesma característica automaticamente tivessem as mesmas ações, comportamentos, desejos ou valores. Por exemplo: generalizamos que todas as pessoas do gênero feminino desejam se casar ou ser mães, como se não houvesse possibilidade de alguém ter um desejo contrário. Normalmente discriminações e violências de gênero são fundamentadas a partir de estereótipos.

Feminismo

Movimento social e político que defende direitos iguais para mulheres e homens. Existem diferentes correntes feministas, mas de modo geral todas concordam que em nossa sociedade as mulheres encontram mais resistências e desvantagens sociais devido aos estereótipos de gênero. Por isso, lutam para que as mulheres tenham mais espaços de decisão e que tenham direitos iguais aos já conquistados pelos homens, seja em âmbito da legislação (plano normativo e jurídico) ou em âmbito da vida social cotidiana.

Gay

Pessoa identificada pelo gênero masculino que se sente atraída ou mantém relações afetivo-sexuais com pessoas também masculinas.

Gênero

Conceito criado no final dos anos 1960 para demonstrar a dimensão social das diferenças percebidas entre os sexos. A ideia de gênero busca enfatizar as causas culturais sobre as diferenças e desigualdades entre masculinidades e feminilidades. Quando falamos em gênero nos apoiamos em um sistema de diferenciação que, na nossa sociedade, atrelou-se também a relações de poder e posições hierárquicas. Além disso, gênero refere-se ainda a um conjunto de expectativas que recaem sobre as pessoas desde quando elas nascem e exigem delas uma coerência entre seu corpo, sua identidade, suas práticas e desejos.

Homofobia

É toda discriminação ou violência, seja ela física ou simbólica, contra pessoas homossexuais.

Heterossexual

É a pessoa que se sente atraída afetiva e sexualmente por pessoas do sexo oposto.

Homossexual

É a pessoa que se sente atraída afetiva e sexualmente por pessoas do mesmo sexo.

Identidade de gênero

É como uma pessoa se vê e como ela se mostra para o mundo: seu modo de pensar, se vestir, sonhar ou agir.

Lésbica

Pessoa identificada pelo gênero feminino que se sente atraída ou mantém relações afetivo-sexuais com pessoas também femininas.

Poder

É a possibilidade de se realizar algo segundo vontades e interesses. A faculdade ou a capacidade de exercer-se, de deliberar, de agir e de coagir a partir de determinadas vontades, seja de forma consciente ou inconsciente. Relações de poder são interações nas quais essas vontades buscam sobressaírem-se umas às outras. A interação entre diferentes agentes com diferentes interesses acaba por compor um cenário conflitivo, onde as vontades entram em disputas. A tentativa de uma vontade ser imposta sobre outra é o que delineia os embates entre indivíduos, grupos e instituições.

Sexo biológico

Se refere ao que pode ser identificado como referencial do corpo da pessoa: seja seu órgão genital, sua combinação genética ou hormonal.

Travesti/Transexual

Quando uma pessoa tem sua identidade de gênero diferente daquela esperada para seu sexo biológico, por exemplo: quando tem o sexo feminino, mas identidade masculina ou sexo masculino e identidade feminina. Tem pessoas, nestes casos, que demonstram desejo de mudar seu sexo biológico por meio de cirurgia.

Transfobia

É toda discriminação ou violência, seja ela física ou simbólica, contra travestis ou transexuais.

Violência

Ações realizadas por indivíduos ou grupos que tem por objetivo a imposição da autoridade sobre outros indivíduos ou grupos. Toda violência é praticada a partir do pressuposto da desigualdade, quando uma pessoa se sente autorizada a ter mais poder do que outra e age para impor essa condição seja por meios físicos ou simbólicos. Nesse sentido, quando há a recusa de se garantir o estatuto de igualdade entre os indivíduos, seja por parte do Estado quando viola algum direito humano, ou seja por parte de algum indivíduo ou grupo que busca se sobressair sobre outro, há violência. Esses atos de imposição de poder podem ser tanto de forma física (agressão e violação corporal) como de forma simbólica (agressão verbal, desvalorização, negação de acesso à direitos, pressão psicológica, imposição de uma posição de subordinação, etc.). Desse modo, em última instância, violência é a violação da condição de igualdade entre os indivíduos.

 

ESCOURA, Michele. Relações de Gênero na EJA – Caderno de Formação. São Paulo: Ação Educativa e Fundação Vale, 2014.